. A importância da reflexão
A importância da reflexão crítica sobre a prática se torna uma exigência da relação Teoria/ Prática sem a qual a teria pode vir virando blá-bla-blá e a prática, ativismo. Pág: 25
. Ensinar não é transferir conhecimento
Ensinar é a ação pela qual um sujeito criador, dá forma, e estilo ou alma a um corpo indeciso e incomodado. Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para a sua produção ou a sua construção. O formador é o sujeito que forma, e o aluno, o objeto por ele formado. Págs: 24e25
. Não há docência sem discência
As duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. Quem ensina, ensina alguma coisa a alguém. Pág:25
. Curiosidade ingênua e curiosidade epistemólogica
A curiosidade ingênua, de que resulta indiscutivelmente um certo saber, não importa que metodicamente desrigoroso, é a que caracteriza o senso comum. A curiosidade epistemológia é o pensar certo, em termos críticos, é uma exigência que os momentos do ciclo gnosiológico vão pondo a curiosidade que, tornando-se mais e mais metodicamente rigorosa, transita da ingenuidade para a curiosidade epistemológica. Pág: 31
. Ensino Bancário
O ensino “ bancário” deforma a necessária criatividade do educando e do educador, o educando a ele sujeitado pode, não por causa do conteúdo cujo “conhecimento” lhe foi transferido, mas por causa do processo mesmo de aprender, dar, como se diz na linguagem popular, a volta por cima e superar o autoritarismo e o erro epistemológico do “ bancarismo”. Pág:27
. Momentos do Ciclo gnosiológico
Ensinar, aprender e pesquisar lidam com esses dois momentos do ciclo gnosiológico: o em que ensina e se aprende o conhecimento já existente e o em que se trabalha a produção do conhecimento ainda não existente. A “dodiscência” ( docência + discência) e a pesquisas, indicotomizáveis, são assim as práticas requeridas por esses momentos do ciclo gnosiológico. Pág:30
.Ética e Estética
Estar longe ou, pior fora da ética, entre nós, mulheres e homens, é uma transgressão. É por isso que transformar a experiência educativa em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador. Se respeita a natureza do ser humano, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educante . Educar é substantivamente formar. A ética esta sempre ao lado da estética. Págs: 34 e 35
. Consciência da incoclusão
É próprio do pensar certo a disponibilidade ao risco, a aceitação do novo que não pode ser negado ou acolhido só porque é novo, assim como o critério de recusa ao velho não é apenas o cronológico. A tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desaficar o educando com quem se comunica, a quem se comunica a produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Págs: 36e39
. Condições favoráveis para a realização da tarefa docente
É fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável para pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores, mas, pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. É pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. Págs: 39 e 40
. Importância da dialogicidade
Como professor não deve poupar oportunidade para testemunhar aos alunos a segurança com que se comporta ao discutir um tema, ao analisar um fato, expor sua posição em face de uma decisão governamental. O sujeito que se abre ao mundo e aos outros inaugura com seu gesto a relação dialógica em que se confirma como inquietação e curiosidade. Págs: 132 e 133
. Características de uma aula dinâmica
É preciso que o professor se ache “ repousado“ no saber de que a pedra fundamental é a curiosidade do ser humano. É ela que me faz perguntar, conhecer, atuar, mais perguntas, re-conhecer Pág:84
.” Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender”
Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa, e foi aprendendo socialmente que, historicamente, mulheres e homens descobriram que era possível ensinar. Aprender procedeu ensinar ou, em outras palavras, ensinar se diluía na experiência realmente fundante de aprender. O processo de aprender, em que historicamente descobrimos que era possível ensinar como tarefa não apenas embutida no aprender, mas perfilada em si, com relação a aprender, é um processo que pode gerar no aprendiz uma curiosidade crescente, que pode torna-lo mais e mais criador. Págs: 25 e 26
. O discurso da globalização
Procura disfarçar que ela vem robustencendo a riqueza de uns poucos e verticalizando a pobreza e a miséria de milhões. Paulo Freire não acredita que as mulheres e os homens do mundo, independentemente até de suas opções políticas, mas sabendo-se e assumindo-se como mulheres e homens, como gente, não aprofundando o que hoje já existe como uma espécie de mal-estar que se generaliza em face da maldade neoliberal. Mal-estar que terminará por consolidar-se numa rebeldia nova em que a palavra crítica, o discurso humanista, o compromisso solidário, a demência veemente da negação do homem e da mulher e o anúncio de mundo genteficado serão armas de incalculável alcance.Pág:125
.Educador democrático
A autoridade docente democrática precisa encarar em suas relações com a liberdade dos alunos. Paulo Freire diz que não devemos pensar apenas sobre os conteúdos programáticos que vêm sendo expostos ou discutidos pelos professores das diferentes disciplinas, mas ao mesmo tempo, a maneira mais aberta, dialógica, ou mais fechada, autoritária com que este ou aquele professor ensina. Pág:87
.Autonomia
O respeito à autonomia e à dignidade de cada um é um imperativo ético e não um favor que podemos ou não conceder uns aos outros. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma pedagogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas da liberdade. Págs: 58 e 105
.Tarefa pedagógica dos pais
É deixar óbvio aos filhos que sua participação no processo de tomada de decisão deles não é uma intromissão, mas um dever, até, desde que não pretendam assumir a missão de decidir por eles. Pág: 104
. Autoridade democrática
O papel da autoridade democrática não é, transformando a existência humana num “ calendário” escolar “ tradicional”, “ marcar as lições”, de vida para as liberdades, mas, mesmo quando tem um conteúdo progmático a propor, deixar claro, com seu testemunho, que o fundamental no aprendizado do conteúdo é a construção da responsabilidade que se assume. Pág:92
